Equador na era pós-pandemia de COVID-19





Em 2022, o Equador tornou-se o país com o maior número de áreas protegidas e patrimônio cultural da América do Sul, declarando 200.000 km² de seu mar territorial nas Ilhas Galápagos como área protegida. Essa área, somada aos 90.000 km² de áreas protegidas no continente, totaliza mais do que a extensão continental do país, que é de aproximadamente 284.000 km². Além disso, desde 2008, o Equador é o primeiro país do mundo a reconhecer os direitos da natureza em sua Constituição.

Contudo, apesar de ser exportador de alimentos, petróleo e, agora, ouro, sua população vive em situação de pobreza há 500 anos. Essa pobreza e a distribuição desigual de renda resultaram em desnutrição infantil e adulta, caracterizada por obesidade, especialmente no litoral e nas cidades. Isso é consequência da revolução alimentar provocada por indústrias alimentícias transnacionais, como a Coca-Cola, e da revolução dos transportes, que transformou o sedentarismo em um problema de saúde e de comunicação. Há 70 anos, o país luta contra a desnutrição, que inicialmente começou como uma luta contra o hipotireoidismo devido à deficiência de iodo. Essa deficiência deixou graves consequências, como o cretinismo endêmico nos Andes americanos. Atualmente, Equador, Peru e Bolívia são os países com as maiores populações de crianças desnutridas, que apresentam baixo peso ao nascer, baixa estatura e, sobretudo, deficiência intelectual ou dificuldades de aprendizagem, principalmente devido à desnutrição durante os dois primeiros anos de vida, período em que o cérebro experimenta seu maior crescimento.

Esse problema, que o governo do presidente Guillermo Lasso tentou enfrentar por meio de uma campanha de saúde semelhante à implementada para a COVID-19, a pandemia que atingiu o mundo a partir de 2020, causou um colapso no Equador a partir de março daquele ano devido à quarentena. Essa quarentena significou o fechamento de estradas, aeroportos e portos, deixando as ruas desertas por dois anos, período em que a população ficou confinada em suas casas. Os alunos estudaram remotamente de casa e os funcionários públicos e privados trabalharam de casa pela internet. As compras passaram a ser feitas online, o que mudou para sempre as relações sociais no Equador. O uso de máscaras e a pobreza deram origem a ladrões, traficantes e sequestradores que conseguiam esconder seus rostos, resultando na onda de violência mais brutal que o país já presenciou.

Essa crise sanitária e econômica permitiu que os ricos de Guayaquil, ligados há séculos ao contrabando e à atividade bancária, financiassem suas campanhas eleitorais com dinheiro do narcotráfico. Eles transformaram os portos equatorianos em propriedade privada e, ao mesmo tempo, se livraram do controle alfandegário, transformando o Equador, e especialmente Guayaquil, no principal porto de exportação de drogas da América do Sul. A população costeira ficou presa ao narcotráfico e à lavagem de dinheiro, graças à dolarização do país desde 1999 e às ondas migratórias que transformaram migrantes em lavadores de dinheiro e imigrantes ilegais para os Estados Unidos e a Europa. Esse estilo de vida dos equatorianos, tanto dentro quanto fora do país, operando à margem da lei, aliado a governos onde empréstimos do FMI, sonegação fiscal, projetos de obras públicas, mineração, narcotráfico e política se traduzem em lucros rápidos de milhões de dólares, levou o Equador a se tornar o país mais violento da América Latina, depois de ter sido o mais pacífico, e fez com que o turismo e o investimento estrangeiro fugissem do país.


Hoje, as informações que recebemos indicam que todos, desde presidentes a policiais e soldados, estão envolvidos com narcotráfico, mineração ilegal, corrupção e assassinatos. O sistema judiciário, que já era um problema no país desde a sua fundação, agora se torna cada vez mais evidente, pois se transformou em uma ferramenta dos políticos e uma fonte de terror para seus cidadãos.

Diante dessa realidade, a Fundação Ecotrackers, que promove o turismo no Equador, enfrenta dificuldades. No entanto, agora que pode se registrar no Ministério da Produção e Comércio Exterior, que absorveu o extinto Ministério do Turismo, acredita que sua oportunidade reside na exportação de arte, artesanato e produtos naturais eco-responsáveis ​​de áreas protegidas e patrimônio cultural. O projeto também visa promover o turismo nacional e internacional com foco em saúde, bem-estar e esportes nessas regiões, visto que o turismo nas Ilhas Galápagos se tornou uma das principais atrações da América do Sul.

A Ecotrackers se dedica a criar um centro de produção de conteúdo online que posicione o Equador como um polo de observação de eventos nos Andes, na Amazônia e no Pacífico, tanto no continente quanto globalmente. Além disso, facilitará o comércio eco-responsável e promoverá a saúde nas áreas protegidas e patrimônio cultural do país por meio de um centro cultural equatoriano-ibero-americano e um centro de saúde que oferecerá serviços presenciais e online.

IL MUSICISTA VENEZUELANO

NN nacque in Venezuela nel 1945 e studiò musica fin da giovane, specializzandosi in chitarra e cuatro venezuelano. Si trasferì poi a Miami, ...